A Folha de São Paulo testou 119 pontos de wi-fi livre; conexão falha ou há lentidão em 30

Da Folha de São Paulo

O acesso à rede sem fio, que permite captar um sinal para navegar na internet, é prometido pela prefeitura em 120 pontos da capital. Mas, em pouco mais de um terço deles, como o vão-livre do Masp, há chances de o paulistano não descobrir a existência do serviço. E, em 12 deles, pode não conseguir conectar o celular ou o tablet à rede, que custa R$ 9,2 milhões por ano aos cofres públicos.

Uma nova empresa deve ser contratada no início desta semana, e a secretaria promete sinalizar as praças e parques até o mês que vem. A instalação custará R$ 13 mil.

Além de procurar a placa do projeto, a reportagem tentou utilizar o serviço nos 119 pontos. A ideia era assistir a um vídeo de 30 segundos e acessar os sites da prefeitura, de uma rede social e da Folha. Tudo em até cinco minutos.

Na maioria dos pontos (89) foi possível navegar rapidamente. Em outros 18 havia lentidão e ao menos um site não carregou. As exceções foram 12 locais nos quais não foi possível conectar o celular à rede.

As queixas se repetem entre usuários. “Não dou muita sorte [com os pontos de wi-fi]. Já troquei de celular e o acesso continua ruim”, diz Luisa Maria Granado, 22.

Na última quarta (10), a professora de inglês usava a rede em frente ao Theatro Municipal, no centro. “Está demorando um pouco, mas está indo.”

“Tem sinal, mas não conecta”, reclamava o estudante Lucas Ramon, 19, na praça Roosevelt. “Talvez seja porque muitas pessoas estão usando ao mesmo tempo.”

Em teste realizado pela Folha em junho de 2014, quando havia 18 pontos na capital, três não funcionaram.

“Em alguns locais, de fato aparecem alguns problemas”, diz o secretário Simão Pedro. “Às vezes, pode ter um obstáculo, como árvores, ou uma deficiência no equipamento, como queda de energia e oscilação na rede.”

O serviço pode ficar fora do ar em até 29 horas do mês (4% do período), conforme as regras no contrato assinado pelas empresas responsáveis pelo serviço, a WCS e a Ziva.

Além disso, afirma a secretaria, podem ocorrer picos de acesso. Ou seja, o número usuários supera a capacidade de um ponto. Então, a velocidade cai pela metade, para 256 Kbps efetivos.

Em março, a UFABC (Universidade Federal do ABC) publicou um relatório considerando “bem satisfatório” o acesso em 82 praças. Em parceria com a prefeitura, que fornece recursos para pesquisas, a instituição mantém um projeto para analisar a rede.

FUTURO

“Certamente, a qualidade técnica tem de ser melhorada e é preciso ampliar o número de lugares com acesso”, diz o professor de políticas públicas Sérgio Amadeu, coordenador do projeto na UFABC.

Na questão técnica, diz Amadeu, deveria ser mais clara a velocidade em cada praça. “É bom que o cidadão saiba para ajudar a fiscalizar.”

Para o secretário Simão Pedro, são naturais, em um projeto novo, as fases de avaliação e aperfeiçoamento, para corrigir problemas. Um dos pontos a serem melhorados, diz, é a instalação de bancos e tomadas para as pessoas recarregarem os celulares.

Está nos planos da prefeitura, acrescenta o secretário, concluir nos próximos meses uma proposta de expansão, levando a rede sem-fio a pontos de ônibus e para os parques Ibirapuera e do Carmo.

O plano deve sair após a prefeitura terminar, primeiro, de instalar as placas de sinalização de todos os pontos de wi-fi existentes.

 

 

sãopaulo visitou, entre os dias 29 de maio e 8 de junho, todos os locais atendidos pelo WiFi Livre SP, cujo objetivo é oferecer acesso gratuito à internet nos 96 distritos. Os pontos foram instalados entre janeiro de 2014 e abril deste ano.

O único ponto em que a reportagem não pôde testar o serviço foi no parque Orlando Villas-Boas, na zona oeste, fechado desde março.

Em 42 dos 119 pontos restantes não existe a plaquinha do projeto indicando a existência do sinal para quem passa pelos locais. Segundo uma das empresas que instalou a rede, a sinalização é fundamental.

Entre os locais sem placa estão a praça da Sé e o parque da Luz, na região central, o Clube Tietê, na zona norte, o parque da Independência, na sul, e a praça do Pôr do Sol, na oeste.

“A questão das placas é real”, diz o secretário municipal de Serviços, Simão Pedro, reconhecendo o problema. “No ano passado, fizemos uma licitação e acabou dando errado.”