Acessos wireless serão mais de dois terços do total de conexões no mundo em 2019

Apesar de grande crescimento no acesso móvel no mundo, a maior parte do tráfego IP será transitada em redes Wi-Fi. É o que diz o estudo Cisco Visual Network Index (VNI), divulgado nesta quarta-feira, 27: o acesso fixo via Wi-Fi será responsável por 53% de todo o tráfego global em 2019, um crescimento de 23% em taxa de crescimento anual composto (CAGR).

A Cisco detalha que a maior parte do total do tráfego IP, 36%, será de acesso Wi-Fi para dispositivos sem conexão móvel (como tablets ou laptops), um aumento de 21,1% CAGR em relação a 2014. Já para os aparelhos com conectividade 3G/4G, o tráfego Wi-Fi crescerá mais: 67,5%, ou 17% do total de todo o tráfego IP. Já o acesso fixo com fio será ainda 33%, um aumento de 11,4%. A rede móvel será responsável por 14% de todo o tráfego IP global, crescimento de 57,3%. Isso significa que, somando o acesso em redes 3G e 4G com as conexões via Wi-Fi, mais de dois terços (ou 67%) do total de conexões será wireless no mundo em 2019.

No corte do Brasil, o Wi-Fi terá maior participação, sendo responsável por 55% do total do tráfego IP em 2019. As conexões fixas com fio ainda serão 31%, enquanto os acessos móveis ficarão em 14%. “Parece pouco, mas a disponibilidade do recurso tem aspecto tecnológico e econômico levados em consideração”, explica o diretor do segmento operadoras da Cisco, Hugo Baeta Santos. Segundo ele, atualmente a proporção de acessos móveis é de cerca de 5%.

Em se tratando de acesso à Internet no mundo, o share muda: em 2019, 81% serão wireless, contra 61% em 2014. A divisão de acessos no restante será de 18% em redes móveis, 19% em fixos, 21% de tráfego via Wi-Fi para dispositivos 3G/4G e 42% para aparelhos apenas com conexão Wi-Fi.

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O estudo VNI da Cisco cita o levantamento da Maravedis Rethink e da iPass Inc., que diz que haverá 341 milhões de hotspots Wi-Fi no mundo em 2018. Segundo essa pesquisa, a atual líder no segmento, a China, será ultrapassada pelos Estados Unidos nesse período. “Não tem dado específico de Brasil, mas a mesma tendência de crescimento segue aqui”, diz Santos.

Esse total global considera também os chamados “community Wi-Fi”, que são os acessos wireless utilizando roteadores domésticos configurados para ofertar rede pública para clientes da operadora (separados da rede privada do usuário). Santos considera que esse tipo de conexão é complementar ao das redes móveis. “A Cisco vê claramente que existe oportunidade de monetizar, tornar o Wi-Fi um negócio, complementando o 3G e o 4G”, declara. Ele explica que em alguns países as teles oferecem o Wi-Fi não apenas como offload, mas com ofertas de serviço de valor adicionado apenas acessíveis dessa forma, como serviços baseados em localização com maior precisão.